sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Do regresso às aulas

Embora o mês de setembro esteja longe de ser o meu favorito – marca o fim do verão, das férias, do bom tempo; as folhas começam a cair, os dias a encurtar, a melancolia a instalar-se – tem o mérito de representar um novo recomeço.
É uma espécie de janeiro, sem as festividades do ano novo (que eu dispenso), mas com as resoluções de um novo ano.

Foi com esse animo de vida nova que o meu pequeno príncipe atacou o 3º ano do ensino fundamental.

De mochila às costas, olhos brilhantes e coração apertado, foi para a escola na ânsia de começar uma nova etapa.

Ele sabia quem era o novo professor, mas ainda não sabia que seria “o melhor professor que já tive” – foi assim que o definiu quando o fui buscar para almoçar.

Que contente que fico com o entusiamo dele. Nada como um docente que cativa para que as coisas corram bem. Eu acredito nas primeiras impressões e fico a torcer para que seja, efetivamente, o melhor professor de sempre.

A mim custa-me a crer que possa superar a sua primeira professora: a Joffer Nathalie era excecional. 
Temo, na verdade, que o facto de ser um homem, jovem e descontraído possa refletir-se num aluno desleixado, relaxado e pouco empenhado.

Mas não agoiremos. 

Vai correr tudo bem. 

Força meu Amor. Tu consegues! 

A três é que é bom!



 

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Dos riscos necessários

Confesso ter ficado um pouco reticente quando o pequeno príncipe nos pediu um skate. Na minha cabeça choveram imagens de joelhos esfolados, braços partidos, cabeça aberta, boca ensanguentada, dentes em frangalhos… Coisas banais, vá, na vida de crianças ativas.

Já em tempos tivera um skate reciclado, de tamanho desadequado, com o qual não se entendera e que rapidamente voltou para o sítio de onde viera.
Nessa altura não consideramos ser o momento certo para lhe comprar um e, verdade seja dita, ele não voltou a falar do assunto. Até há dias.

Veio, portanto, com a conversa que gostava de ter um skate e que já sabia andar, porque na Maison Relais tem praticado.

Ora bem, se é para andar de skate, ao menos que seja num ajustado às suas capacidades e com as proteções todas, para minimizar os estragos. Até porque, como não vou conseguir que não ande naquela coisa diabólica quando está no acolhimento, ter um para praticar em casa facilita e incrementa a aprendizagem.  

E foi assim que recebeu um skate e nos mostrou que, efetivamente, já se safa relativamente bem. Ao contrário da mãe que, mal pôs um pé em cima, ia virando os dois para o ar, equilibra-se e “dá o jeito” ao corpo, de maneira graciosa e de quem já domina. Gosto de o ver.

Por muito que às vezes assuste e tenhamos receio que se magoem, devemos, enquanto pais, apoiar e incentivar a pratica de atividades ao ar livre, arrancar os nossos miúdos para o exterior e deixá-los cair – pois só assim aprenderão a se levantar.

A três é que é bom!



quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Da perseverança e firmeza

Eu sou perentória nesta minha acusação! Os ecrãs são o inimigo número um das nossas crianças e jovens. E até de muitos adultos.

São a televisão, os computadores, as tabletes, as consolas e os telemóveis. Vale tudo. Com propostas que vão de desenhos animados e séries perfeitamente inócuos a conteúdos incitando a guerra e a destruição - despertando nas cabeças dos espectadores/jogadores o pior do ser o humano -  há para todos os gostos.

Criam uma dependência tão mas tão incontrolada, que mais parece uma droga.

E de quem é a culpa? A resposta está-me na ponta dos dedos: dos pais e cuidadores, que para terem momentos tranquilos e se furtarem às suas responsabilidades, dão a “maminha tecnológica” aos miúdos, desde tenra idade, incutindo-lhe o vício. À mingua de ideias para ocupar os filhos, e sem vontade de os aturar, dão-lhe, muitas vezes espontânea e automaticamente, os ecrãs para as mãos – pois assim não há birras.

E por essa via, graças à constante estimulação dos ecrãs, as crianças tornam-se incapazes de momentos de ócio e inatividade, sempre em busca de mais e mais, não sabendo gerir o tempo morto.

E eu não sou um exemplo neste assunto! E lamento por isso.

Quando o meu filho não queria comer a sopa – por volta dos 2 anos e pouco – para o entreter comecei a mostrar-lhe o Ruca. E funcionou. Conclusão: durante uns longos meses (2 anos?) só com a porcaria dos desenhos animados comia a sopa. E isso tornou-se um problema. Não, não podíamos permitir que os ecrãs se infiltrassem na hora da refeição. Por isso foi feito o desmame e os ecrãs proibidos à mesa.

Contudo, e porque o vício já lá estava, passou a ver televisão em horários pré-determinados e com limite de tempo. Escolhíamos criteriosamente os conteúdos e, devo reconhecer, vários foram os episódios que aproveitei para lhe “fazer a moral” sobre os assuntos mais variados. Com o crescimento passou a ver desenhos animados com vertente mais educativa - os Octonautas são um exemplo de tempo bem aproveitado à frente da televisão – e, forçosa e inevitavelmente, a jogar na consola. Temos uma Wii, que não teve (felizmente) o poder de o prender. No Natal passado, e ainda que não tivesse sido uma escolha muito consensual, acabou por receber uma Switch. E foi um erro. Não é capaz de se controlar e, se o deixasse, jogava dia e noite. Obviamente que não acontece. Mas ele gostaria. E isso enerva-me tanto que até dói.

Eu sei que esta guerra não é só minha e que outros pais se vêm a mãos com problemas de excesso de ecrã e de estupidificação dos filhos. Só há um caminho: reagir. E reagir com força e perseverança. Impor limites, controlar conteúdos e estimular as nossas crianças para fazerem outras coisas: brincar na rua, fazer desporto, aprender musica, ler, pintar, construir, destruir, experimentar. Mas nunca desistir e em momento algum ceder ao facilitismo que é dar-lhes a “maminha tecnológica” para as mãos.

A este propósito alerto que o esforço na educação deve ser conjunto e que os pais têm de seguir lado a lado na prossecução do que é melhor para os filhos, esforçando-se por serem, eles próprios, um exemplo. Tenho dito.

A três é que é bom!




quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Dos pés sem chão

Curiosamente, e talvez por uma questão de sobrevivência – porque seria um inferno reviver continuamente certos acontecimentos da nossa vida - o nosso cérebro tem tendência a bloquear episódios traumáticos.

Só isso justifica que, quando resumi sucintamente as nossas férias, não me veio a lembrança do pior momento de toda a minha existência. Sim, aconteceu nas férias. E embora tenha a certeza que não me esquecerei desse dia, vou tentar contar o incontável (quando me refiro ao incontável, não falo propriamente do que aconteceu, mas do que senti).

Nos dias que passamos no Algarve ficamos alojados num hotel que não fosse o preço excessiva e injustificadamente caro, teria respondido às nossas expectativas. Plantado no alto da Praia da Falésia, com um mar imenso pela frente, dispõe de vastos e bem cuidados espaços exteriores e quartos relativamente ajeitados repartidos por pequenas moradias.  
Numa noite, no regresso ao nosso quarto depois de jantar, o nosso pequeno príncipe desata a correr na direção oposta a dizer que dava a volta por trás e nos encontraria logo à frente, no atalho para o nosso alojamento. Distraídos pela conversa e apanhados de surpresa, nem nos deu tempo de reagir. Continuamos a caminhar, lentamente, à espera de o ver surgir. Como não o via/ouvia e no caminho que tomou havia outras moradias que me impediam de o ter sempre debaixo de olho, o coração começou a apertar e separámo-nos: o meu marido seguiu o caminho que o nosso filho tomou e eu avancei para onde era suposto vê-lo chegar. Nada! Já a tremer e com o coração descompassado, peguei no telefone para tentar ligar ao papa, para saber se o tinha encontrado – mas não fui capaz. Não conseguia ver o que fazia, não encontrava a lista de contactos, estava desorientada. E nesse desnorteamento aparece o meu marido no atalho, sozinho, também a tentar ligar-me…

Onde é que ele está? Onde é que ele está?

Escrevo isto enquanto volto a ter o estomago remexido e um sufoco de dor no coração, ao recordar que naquele dia perdi o chão e pensei: isto não me está a acontecer. Um segundo, fração de um segundo.

Sem conseguir pensar o que fazer, desatei a correr na direção que o Matias seguiu, a gritar pelo nome dele, desorientada e louca. O meu marido seguiu outro caminho, igualmente desesperado. Nada.

Volto para o sentido do quarto e vejo-o, a correr, transpirado e assustadíssimo, solto na minha direção. Foi o abraço que me devolveu a vida. Meu Deus. Nunca tive tanto medo. Nunca me senti assim perdida.

Falhou o atalho e continuou a corrida até encontrar caminho conhecido (bem lá no extremo oposto) e regressar ao quarto. Estava tão desarmado quanto nós.

Não sei quanto tempo é que isto durou, mas no total não seriam mais de 5 minutos. Mas foram momentos eternos e de um vazio e dor tão avassaladores que a lembrança esmaga como se fosse agora.

Uma lição para a vida: não acontece só aos outros.

A três é que é bom!



terça-feira, 7 de setembro de 2021

De um novo recomeço

Ser-me-ia impossível retomar o fio da meada e contar-vos tudo o que vivemos desde a última vez que escrevi neste blog. Há meses que não partilho os nossos momentos e lamento por isso. Lamento porque a minha memória é fraca e o muito que ficou por dizer provavelmente esquecerei.

Há, contudo, episódios que estão bem presentes na minha cabeça e, alguns deles, que me atormentam um pouquinho.

Desde o início do ano que o meu pequeno príncipe tomou consciência da morte e isso tem-no afetado no seu dia a dia. Tenho a certeza que a pandemia já lhe andava a trabalhar na cabecinha, mas a queda de fevereiro, de que vos falei, acabou por despoletar  a coisa e desencadear noites de choro e medo de morrer e só na cama dos pais encontrou conforto. 

Seguiram-se receios de sufocar, receios de ataques cardíacos, receios de ossos partidos... Tudo e durante meses! A tal ponto de quase deixar de comer. Nos dias anteriores a iniciarmos as férias, pensei enlouquecer. Nunca tinha tido problemas com a alimentação. NUNCA. E de repente via-me horas à mesa, a tentar convencê-lo a comer, e a vê-lo dar voltas e voltas à comida na boca, até acabar mastigada na beira do prato. O que fazer? O que fazer?

Pus-me um limite: se as férias (que já não fazíamos desde 2019) não permitissem trazer o meu filho de volta, no regresso a casa procuraríamos ajuda especializada. 

As férias foram imensamente curtas! O que só por si diz muito sobre o quanto foram imensamente maravilhosas.

Embora o meu Matias não tenha voltado a 100%, vi-o feliz e descontraído, a aproveitar o amor dos avós e a liberdade de quem vive no campo, a brincar com crianças que partilham dos seus gostos e do seu bom coração, a superar o receio de andar de motorizada, a permitir-se viver sem o constante medo de morrer.
Nem tudo foram rosas, obviamente: abusou do ecrã, refilou por ir para a praia (porque é que todas as crianças preferem a piscina?), pedinchou porcarias em todas as oportunidades e não se alimentou convenientemente. 
Não obstante, voltamos a casa com a vontade de regressar o quanto antes para os abraços de quem gosta de nós (tal como nós gostamos deles), para o sol e para o mar. 

E como estamos de saúde? 
Fomos à pediatra fazer um check-up para o desporto e, de acordo com a médica, está bem. As questões do medo e fobias ficaram em aberto, para ver se justificam outro tipo de acompanhamento. No demais, constatou que cresceu bastante mas também que emagreceu - não só afinar a silhueta mas no sentido de perder peso. Visto que durante uns dois meses se alimentou horrivelmente, não me chocou. Mas a ele parece que sim, porque desde então voltou a comer como um grande. Que contente que estou! Ufa. Não me consigo conciliar com uma criança que não se alimenta. 

Parece-me, no fim de contas, que estamos perante um novo recomeço - a diferentes níveis, nomeadamente no voltar a escrever no blog e partilhar, para memória futura, o quanto é "dificilogratificante" ser mãe. 

A três é que é bom!






terça-feira, 2 de março de 2021

Dos hábitos de leitura

Os livros sempre fizeram parte da vida do meu pequeno príncipe. 

Ainda bebé, compramos-lhe daqueles livrinhos que mais do que livros de imagens são um conjunto palpável de diferentes texturas.

Seguiram-se os livros de capa grossíssima, com uma palavra por página e desenhos coloridos das mais variadas espécies: animais, carros, frutas, legumes, objetos, brinquedos... nem todos ficaram em bom estado. Mas cumpriram a sua missão, ao encher de conteúdo a vida do meu menino. 

Por muito que puxe pela cabeça - talvez essa informação até esteja neste blog - já não me recordo quando é que o ritual da leitura da história antes de dormir se implantou. Mas de uma coisa lembro-me com clareza: do quanto as histórias do T'choupi foram úteis para passar mensagens ao meu filho: T'choupi ne veut pas prêter; T'choupi est poli; T'choupi va sur le pot; T'choupi veut un chaton; T'choupi veut tout faire tout seul; T'choupi se pert au supermarché... Foram horas e horas de lavagem cerebral :)

A coleção P'tit Garçon, além do estilo ritmado, incluía, no final, um quiz sobre a história, estimulando o interesse e concentração do meu pequenote, para poder responder corretamente às perguntas. 

A dada altura descobri a coleção "Mon Histoire du Soir", livros fantásticos que compilam os grandes êxitos da Disney, em poucas páginas (sim, poucas páginas... para não eternizar a hora da caminha!). Além da história original dos filmes, encontrei e comprei histórias inéditas dos seus heróis favoritos.

Não estou prestes de esquecer que durante noites e noites a fio tive que lhe ler a história do Spiderman - quando, com pouco mais de 3 anos e sem nunca ter visto tal desenho animado, o homem aranha se tornou o seu herói favorito. 

Aliás, esta compilação ainda hoje faz parte dos livros mais requisitados lá na estante. 

Nas últimas férias em Portugal (maio de 2019), o meu filhote encontrou, lá em casa dos avós, o único livro de quadradinhos da mãe e decidiu trazê-lo. Durante uns tempos andou com o livro aos trambolhões, explorando as imagens e pedindo-me para o ler - o que não fiz, pelo que acabou encostado.

O gosto pelos "MickeyMaus" regressou com a capacidade de ler sozinho. 
Sim porque, apesar de não dispensar que a mamã lhe faça a leitura da história da noite, o meu rapazote já sabe ler! E embora a escolarização seja em alemão, a língua que mais gosta é o francês. 

Que delícia que é ouvi-lo. 

E que liberdade nos dá a capacidade de ler! 

Foi isso mesmo que ainda há dias o meu pequeno príncipe descobriu quando, ao ler sozinho a famosa história do Spiderman, se deu conta que a mamã coloria a realidade, ao dizer que o tio do super herói foi ferido, quando a história diz que foi assassinado. Fui apanhada :)

No que depender de mim, nunca lhe faltará o que ler. 
Os pássaros têm asas, os homens têm livros!

A três é que é bom! 





segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Das quedas que assustam

 A primeira vez que fomos parar às urgências por causa de uma queda com a cabeça, o pequeno príncipe tinha aberto os lábios, ao capotar de um daqueles carrinhos de criança, que senta em cima e avança com o impulso dos pés. Ficamos pelo susto e pelo encosto definito à box do belo veículo, que foi substituído pelo Porsche e Bobby Car, muito mais seguros e que lhe proporcionaram infindáveis voltas e voltas ao sofá :)

A segunda vez foi no ano passado, após ter chegado a casa da escola com um colossal galo na cabeça. Apesar de ter vomitado, o médico entendeu que se deveria a alguma gastro e não à queda.

À terceira é de vez.

Estávamos ambos em casa - homeschooling - e, na terça-feira, dia 9 de fevereiro, após a aula online com a professora e tendo feito os trabalhos direitinho, saímos para ir passear o nosso Mickey. A paisagem ainda estava invernal, com um leve manto branco de neve congelada. Decidimos ir dar a grande volta, para esticar as pernas e desanuviar.

Já a uns 3 km de casa, num terreno relativamente amplo, soltei o cão para ambos brincarem, como de hábito, a correr feitos tolinhos. Foi o que sucedeu. Um corre para um lado, o outro para o outro. O meu pequenino chama o amigo de 4 patas, que, desenfreado, correu para ele, sem medir a força nem o impacto. Só vi o meu filho voar e estatelar a face direita no chão gelado. Corri para ele que se levantou de imediato, assustado, a chorar. Não contava com aquilo. Nenhum de nós. Porque estávamos os 3 meio aturdidos com o que se passou.

Prosseguimos caminho, em direção a casa. O meu menino choroso, com dor de cabeça, o cão cabisbaixo e eu preocupada. Por mais de uma vez parámos para consolar o meu principezinho que me dizia: eu não quero morrer mamã. Claro que não vais morrer amor, nunca! Não sei explicar o que lhe passou pela cabeça para achar que poderia morrer. Mas que estava muito abalado, estava. 

Já chegados a casa, e cerca de duas horas depois do sucedido, veio o primeiro vómito. Seguiu-se a sonolência e uma espécie de apatia. E a recusa de comer e beber. É claro que não houve hesitações. Partimos para as urgências pediátricas. 

A queda, a dor de cabeça, os (já) 5 vómitos, a sonolência e a lentidão nos reflexos e nas respostas levaram a médica a decidir deixá-lo em observação durante a noite. A primeira reação do meu filhote foi de choro - talvez não tivesse ouvido que a mamã ficava com ele, o que logo fiz questão de o tranquilizar. Mas depois de ter dormitado nas urgências enquanto esperávamos pelo resultado dos testes covid e por uma vaga no internamento, chegou ao quarto (eram para lá das 23h) espevitado e cheio de curiosidade. A enfermeira (como todas as pessoas que cruzamos) era muito simpática e acessível. Respondeu às suas dúvidas, enquanto colocava todos os apetrechos para que passasse a noite monitorizado. Por último, trouxe-lhe a água que ele pediu e deixou-nos para dormir, com a roupa que trazíamos no corpo - como se de tempos de guerra se tratasse. 

O meu príncipe ainda esboçou, antes de adormecer, um lindo sorriso, enquanto olhava para o dedo com uma luz vermelha, a regular a quantidade de oxigénio no sangue. 

Acordou renovado. Com as capacidades mentais normalizadas e cheio de fome. Comeu um super pequeno almoço, respondeu direitinho aos testes físicos e mentais que médicos e enfermeiros lhe fizeram e, como os seus sinais estiveram normais durante o período de observação, tivemos alta para regressar a casa ao meio da manhã.

À saída do hospital diz-me ele: sempre sonhei ter esta experiencia, de dormir uma noite no hospital. Relembrei-lhe que a sua primeira noite neste mundo foi em meio hospitalar, mas, e bem, disse-me que isso não contava porque é assim com toda a gente e porque também não se lembra. Tadinho.

Além do enorme susto e dos mimos que o Mickey nos fez quando regressamos a casa, vou lembrar deste episódio o medo que o meu filho sentiu de morrer. Como eu o compreendo. Eu também não quero morrer. Quero viver muitos anos, para o ver crescer, lindo e feliz. 

A três é que é bom!