A entrada de hoje no blog, não estando particularmente relacionada com a nossa vida a três, está totalmente associada à minha condição de mãe.
Hoje de manhã tive uma consulta no oftalmologista com o meu pequeno príncipe - tem uma visão ótima e pude constatar que sabe falar francês muito melhor do que aquilo que eu imaginava - e foi na sala de espera desse gabinete médico que assisti a uma lamentável e inqualificável falta de educação.
A sala estava cheia de pessoas de idade (acima dos 70 anos). Logo depois de nós chegou uma mãe com duas meninas - de 5 anos e 18 meses, não mais. A mais pequenita chorava que se matava - não daqueles choros estridentes, mas choro constante. A mãe, como qualquer outra no seu lugar, tentou acalmar o rebento mas sem sucesso. Ora ao colo, ora no chão, a miúda não parava de chorar.
O casal de idosos à minha frente olhava e, descaradamente, reprovava. Os outros, ligeiramente mais discretos, também não consentiam que tal cenário se estivesse a reproduzir. Uma das secretárias do gabinete, que entretanto tinha vindo fechar a porta da sala de espera, entrou, chamou um paciente e abanou a cabeça em reprovação.
Passados uns 5 minutos - a miudinha continuava a chorar - voltou para levar consigo o casal de velhos incomodadíssimos e tem o seguinte desplante:
- "Você não a consegue fazer parar de chorar? Está a incomodar toda a gente."
A pobre da mãe responde que tentou, mas que não resultou. Vem a tirada do século:
-"Pode levá-la lá para fora, quando for a sua vez eu chamo-a."
E a senhora saiu, ante a aprovação da maioria dos pacientes de terceira idade naquela sala.
Ora: eu teria saído definitivamente e mandava-lhe a cartinha de reclamação pelo correio.
Só quem nunca teve filhos, e ainda assim...
Quantos de nós não passaram já por situações destas? Nenhum pai fica impávido e sereno a ver o filho chorar. Já é suficientemente constrangedor. Não precisamos de patetas destes (para não lhes chamar outra coisa) para nos dar a entender que não somos capazes de educar os nossos filhos. Têm é memória curta. Porque, tenho a certezinha, também passaram por situações semelhantes. Acontece com todos.
Só me arrependo duma coisa: quando aquela parvalhona da secretária disse que a menina estava a incomodar toda a gente de não me ter manifestado e vincado que, a mim, não me estava a incomodar.
Haja paciência.
A três é que é bom!
O meu príncipe a apanhar flores para a mamã :)
O nascimento de um filho revoluciona uma casa! Os dias ganham uma nova vida e a vida ganha novos dias, sempre cheios, sempre plenos. A transbordar de amor!... E de muitas outras coisinhas, às vezes grandes, outras vezes miudinhas. É de tudo isso e disso tudo que vamos falar neste blog. Porque, acreditem em mim: A TRÊS É QUE É BOM! :)
quinta-feira, 21 de abril de 2016
quarta-feira, 13 de abril de 2016
O favorito
Durante anos fui a segunda favorita.
O meu irmão era o menino querido do papá, e, ainda que o meu pai o negasse, todos sabíamos que assim era.
Por ser rapaz, dizem uns, por ser o mais novo, dirão outros... Por afinidade, talvez. Pouco importa. Não me impediu de crescer equilibrada, nem tão pouco de saber - na minha condição de segunda - que o meu pai gostava de mim.
Hoje a pirâmide das predileções mudou.
O sexo continua a determinar as preferências. E no topo da tabela está o meu rebento.
O meu pai é louco pelo neto. E o neto é doido pelo avô. É um amor partilhado e desmesurado. Juntos comportam-se como duas crianças. O avô acede a todos os caprichos. O príncipe não se inibe e usa e abusa dessa paciência e complacência.
Mas é para isso que os avós existem, certo?
Ontem foi dia de aniversário do avô. Parabéns pai. E obrigada por gostares tanto do meu filho.
A três é que é bom!
O meu irmão era o menino querido do papá, e, ainda que o meu pai o negasse, todos sabíamos que assim era.
Por ser rapaz, dizem uns, por ser o mais novo, dirão outros... Por afinidade, talvez. Pouco importa. Não me impediu de crescer equilibrada, nem tão pouco de saber - na minha condição de segunda - que o meu pai gostava de mim.
Hoje a pirâmide das predileções mudou.
O sexo continua a determinar as preferências. E no topo da tabela está o meu rebento.
O meu pai é louco pelo neto. E o neto é doido pelo avô. É um amor partilhado e desmesurado. Juntos comportam-se como duas crianças. O avô acede a todos os caprichos. O príncipe não se inibe e usa e abusa dessa paciência e complacência.
Mas é para isso que os avós existem, certo?
Ontem foi dia de aniversário do avô. Parabéns pai. E obrigada por gostares tanto do meu filho.
A três é que é bom!
sábado, 9 de abril de 2016
Sensação estranha
Já em tempos tinhamos deixado o pequeno príncipe em casa dos avós e saímos para jantar com amigos. Dessa vez voltamos para casa dos meus pais, onde pernoitamos no sofá, enquanto o rebento, que adormecera com o avô, continuou na cama deste, tendo acordado contente da vida e sem querer saber dos progenitores.
No passado sábado, decidimos esticar a experiência e, portanto, depois do jantareco a dois, fomos tomar cafézinho e seguimos caminho para nossa casa, deixando o nosso filhote nos avós.
Enquanto fora, não caímos na tentação de só falar do menino, de como estaria, se iria correr tudo bem... bla, bla, bla. Conseguimos resistir e aproveitar um momento a dois, que não acontecia há anos. Literalmente há anos! Só ligamos uma vez, para saber se já dormia.
Contudo, chegados a nossa casa, abateu-se sobre mim um vazio tão grande e uma saudade tão imensa - ao dar-me conta do silêncio, ver os brinquedos todos arrumadinhos, a cama dele vazia... -, que, não fosse por saber que iria magoar os meus pais (que ficariam a pensar que não confiava neles) teria abalado para o sofá da casa destes.
Sei que tanto o neto como os avós gostaram muito desta noite especial, mas eu dormi pior do que em todas as noites em que o príncipe acorda a chamar por mim, com um aperto no peito e uma má consciência na cabeça.
Não, não digo que não voltará a acontecer. Sei que sim. Mas garanto que está longe de ser libertador. Pelo contrário.
Confirma-se: A três é que é bom!
segunda-feira, 28 de março de 2016
Domingo de Páscoa
Se no ano passado foi uma novidade a caça aos ovos de Páscoa, este ano o piolhinho já só falava disso há mais de uma semana.
Foi, portanto, em extâse que assimilou a notícia que o grande dia havia chegado.
A coisa só esteve tremida por causa do tempo. A relva molhada não é convidativa a programas de exterior. Mas dado o entusiasmo da canalha e uma abertazinha do S. Pedro, lá nos arranjamos para, em massa, atacar o jardim da vizinha da avó.
Digo em massa porque eram mais os paparazzi a tirar fotos e fazer videos do que os participantes na apanha dos ovos :)
Enquanto o meu príncipe e a minha afilhada se pendiam para apanhar a catrafada de chocolates largados na relva, os avós e pais respetivos acompanhavam a tarefa com deleite.
Tão bom ver o quanto os miúdos são felizes com pequenas coisas. Oxalá soubessemos todos retirar o máximo partido dos momentos mais simples...
Finda a caçada, o pequenote não resistiu a comer um dos coelhinhos que já lhe estava prometido deste o dia anterior. É guloso como tudo. Quem o vê comer há-de pensar que passa fome, tal a gula e soberba.
De tarde, depois da sesta, fomos dar um passeio a pé. Arejar e espairecer. Pilares fundamentais que não garantem mas pressagiam uma noite tranquila e de sono profundo. Passamos pelos jardins do Museu Vauban - onde haveremos de entrar um dia - e, depois de ter dado duas voltinhas no carrocel, o meu rebelde divertiu-se a perseguir as pombas, numa das praças principais da capital, numa convicção tola de que seria capaz de as apanhar.
A três é que é bom.
Foi, portanto, em extâse que assimilou a notícia que o grande dia havia chegado.
A coisa só esteve tremida por causa do tempo. A relva molhada não é convidativa a programas de exterior. Mas dado o entusiasmo da canalha e uma abertazinha do S. Pedro, lá nos arranjamos para, em massa, atacar o jardim da vizinha da avó.
Digo em massa porque eram mais os paparazzi a tirar fotos e fazer videos do que os participantes na apanha dos ovos :)
Enquanto o meu príncipe e a minha afilhada se pendiam para apanhar a catrafada de chocolates largados na relva, os avós e pais respetivos acompanhavam a tarefa com deleite.
Tão bom ver o quanto os miúdos são felizes com pequenas coisas. Oxalá soubessemos todos retirar o máximo partido dos momentos mais simples...
Finda a caçada, o pequenote não resistiu a comer um dos coelhinhos que já lhe estava prometido deste o dia anterior. É guloso como tudo. Quem o vê comer há-de pensar que passa fome, tal a gula e soberba.
De tarde, depois da sesta, fomos dar um passeio a pé. Arejar e espairecer. Pilares fundamentais que não garantem mas pressagiam uma noite tranquila e de sono profundo. Passamos pelos jardins do Museu Vauban - onde haveremos de entrar um dia - e, depois de ter dado duas voltinhas no carrocel, o meu rebelde divertiu-se a perseguir as pombas, numa das praças principais da capital, numa convicção tola de que seria capaz de as apanhar.
A três é que é bom.
segunda-feira, 21 de março de 2016
Relais pour la Vie
Há muito tempo que queria participar nesta iniciativa. Mais por inércia minha do que por falta de oportunidade, nunca o tinha feito. Este foi o ano.
Fomos recentemente convidados a fazer parte duma associação - Carpe Diem - que tem por objetivo participar ativamente em ações que promovam a solidariedade. Claro que nos fizemos sócios! E foi como membros que nos inscrevemos no Relais pour la Vie.
Assim, foi a nossa primeira participação neste evento comovente e a primeira iniciativa pela solidariedade do meu pequeno príncipe.
Bem sei que é muito pequeno para perceber o alcance desta campanha. Mas nunca se é demasiado novo para perceber que todos juntos somos mais fortes e para aprender que a solidariedade é um pilar da vida.
Às costas do papa, fez connosco a voltinha de apresentação das equipas e espalhou charme e sorrisos à sua volta. Como lhe contámos que era para correr pela vida - embora os pais apenas tenham caminhado - não abandonou a pista sem uma corrida desenfreada.
Como disse, esta foi a primeira participação. Fica a certeza de que não será a última.
A três é que é bom!
Fomos recentemente convidados a fazer parte duma associação - Carpe Diem - que tem por objetivo participar ativamente em ações que promovam a solidariedade. Claro que nos fizemos sócios! E foi como membros que nos inscrevemos no Relais pour la Vie.
Assim, foi a nossa primeira participação neste evento comovente e a primeira iniciativa pela solidariedade do meu pequeno príncipe.
Bem sei que é muito pequeno para perceber o alcance desta campanha. Mas nunca se é demasiado novo para perceber que todos juntos somos mais fortes e para aprender que a solidariedade é um pilar da vida.
Às costas do papa, fez connosco a voltinha de apresentação das equipas e espalhou charme e sorrisos à sua volta. Como lhe contámos que era para correr pela vida - embora os pais apenas tenham caminhado - não abandonou a pista sem uma corrida desenfreada.
Como disse, esta foi a primeira participação. Fica a certeza de que não será a última.
A três é que é bom!
terça-feira, 15 de março de 2016
Londres
Quem haveria de dizer que regressaria a Londres, não apenas para visitar a cidade - que merece que nos perdemos nas suas ruas cheias de vida e de gente - mas também para amassar num abraço apertado uma das minhas grandes amigas, com quem fui à capital londrina pela primeira vez?... A vida é surpreendente!
Mas foi sem surpresa que descobri o quanto é bom estarmos junto daqueles de quem gostamos e poder matar um pouquinho dessa saudade, que embora não se faça sentir sempre, não deixa de ser constante.
Obrigada minha querida. Pela hospitalidade, pelo mimo e pela paciência para aturares o meu pequeno príncipe que nem sempre se comportou à altura.
Assim, e com visita guiada, percorremos os "incontournables" de Londres. Não sem alguma aventura - como sempre acontece quando saímos para algum lado, acrescido o facto da minha amiga ser a pessoa mais "azarada" que eu conheço :)
- London Eye (com direito a voltinha)
- Big Ben
- Houses of Parliament
- Westminster Palace/Abbaye
- Buckingham Palace - o meu pequenote queria ver a Rainha, mas adormeceu quando passamos no palácio la realeza. Que chatice! :)
- Hyde Park - Memorial da Diana
- Green Park
- Piccadilly Circus
- Tower of London
- Tower Bridge
- Trafalgar Square - com festejos do St. Patrick's Day e alguns espetáculos deprimentes por excesso de alccol
- M&M's
- Harrods
- além de muitos teatros, museus e outros monumentos que fazem de Londres uma cidade extraordinária. O sentido do trânsito é o suficiente para nos deixar atordoados :)
Já só a três visitamos o Sea Life, para delicia do meu pequenote, que muito gostou dos tubarões e dos peixe palhaço :)
Excepcionalmente, a quatro é que é bom! :)
terça-feira, 8 de março de 2016
Cavalcade
Num país maioritariamente católico, uma das tradições mais controversas é o facto dos festejos carnavalescos perdurarem em plena Quaresma.
Ora, isso a mim pouco me diz, até porque não sou católica praticante, nem compreendo os desígnios divinos que nos impedem de comer carne às sextas, mas nos permite açambarcar uma bela lagosta suada.
Avante, portanto.
No domingo passado foi dia de desfile de carnaval - a dita Cavalcade - na cidade onde vivemos. E claro que não poderíamos deixar de levar o nosso pequeno príncipe à rua, para se embrenhar naquela confusão e, conjuntamente com os amiguinhos que também não tiveram medo do frio nem da chuva e se acostaram à nossa porta, apanhar os bombons, pipocas, gomas, chupas e muitos rebuçados que os foliões arremessavam dos carros alegóricos.
Foi a primeira Cavalcade em que o meu rebento participou ativamente, esticando as mãozinhas e a saca, à espera que lhe enchessem o bandulho de porcaria :)
O pai também não se fez de rogado, e além da bola de futebol que angariou para o filho, voltou pra casa com a pança cheia de cerveja :D
Confesso que não sou grande admiradora do evento, mas a felicidade nos olhinhos do meu pequenito valem qualquer frete.
A três é que é bom!
Ora, isso a mim pouco me diz, até porque não sou católica praticante, nem compreendo os desígnios divinos que nos impedem de comer carne às sextas, mas nos permite açambarcar uma bela lagosta suada.
Avante, portanto.
No domingo passado foi dia de desfile de carnaval - a dita Cavalcade - na cidade onde vivemos. E claro que não poderíamos deixar de levar o nosso pequeno príncipe à rua, para se embrenhar naquela confusão e, conjuntamente com os amiguinhos que também não tiveram medo do frio nem da chuva e se acostaram à nossa porta, apanhar os bombons, pipocas, gomas, chupas e muitos rebuçados que os foliões arremessavam dos carros alegóricos.
Foi a primeira Cavalcade em que o meu rebento participou ativamente, esticando as mãozinhas e a saca, à espera que lhe enchessem o bandulho de porcaria :)
O pai também não se fez de rogado, e além da bola de futebol que angariou para o filho, voltou pra casa com a pança cheia de cerveja :D
Confesso que não sou grande admiradora do evento, mas a felicidade nos olhinhos do meu pequenito valem qualquer frete.
A três é que é bom!
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