segunda-feira, 4 de maio de 2015

Holanda

O inverno é longo, os dias são curtos. Há tempos que ansiava por um pulinho além fronteiras. O fim de semana prolongado veio mesmo a calhar.
Como nos tinham recomendado a visita ao Keukenhof - jardim de tulipas e outras flores na Holanda - achamos por bem ajuizar por nós mesmos e lá nos metemos a caminho.
Combinamos encontro em Amesterdão com um casal de amigos e a filhota, visto termos 3 dias para laurear. 

Amesterdão tem muito charme! Contrariamente à primeira vez que lá fomos, não visitamos qualquer museu. Limitamo-nos a vaguear pelas ruas, numa redescoberta duma cidade tão única quanto encantadora, com os seus edifícios tortos, os canais e uma multidão de gente descomplexada. Para quem viaja com uma criança de nem dois anos - em carrinho de bebé - torna-se por momentos stressante. Os ciclistas são muito agressivos e é preciso abrir a pestana para não ser atropelado.

A visita ao jardim das flores começou da pior forma: fila medonha de trânsito! A organização do parque de estacionamento é eficaz mas até lá chegar quase arranquei os cabelos. Felizmente o pequeno príncipe estava meio a dormitar...
Não digo que a visita não valha a pena, mas deixou a desejar. Imaginava campos gigantescos de tulipas de todas as cores. Encontramos canteiros, muito  bem arranjados, de uma grande variedade de tulipas e narcisos e algumas flores mais, das quais não sei o nome. O jardim está muito bem  arranjado, sem dúvida.  Mas falta- lhe a grandiosidade que eu esperava.

No terceiro dia decidimos fugir à confusão das cidades e visitar os moinhos. Leidschendam e Kinderdijk. Na primeira localidade são apenas três,  mas conseguimos chegar pertinho e tirar belas fotos :) A chuva obrigou-nos a voltar para o carro mais rápido que previsto. Em Kinderdijk, ficamos a contemplar ao longe. A falta de estacionamento e a chuva aniquilaram  os planos de aproximação.  

O meu pequenote comportou-se de uma maneira geral muito bem. 
Teve momentos em que me fez arrepender sair de casa - com as birras para sentar no carrinho, em que não queria andar a pé nem de cu tremido - em que me deixou triste - com a mania de dar palmadas à mãe e ficar com cara de desafiador - em que me deixou envergonhada - a fazer uma barulheira e sujeira nos restaurantes. Mas, por outro lado, sendo certo que saiu da rotina e se viu, na grande parte do tempo, a gramar programas de adultos,  sem a possibilidade de extravasar a energia e de correr à sua livre vontade, tenho de admitir que se portou bastante bem e que nem fez assim tanta fita. Há miúdos bem mais crescidos a portarem-se como verdadeiros bebés :) 
Ficou, portanto, a satisfação de um fds com amigos, longe da rotina, em boa companhia, num país que tem muito que ver e que merece o desvio.

Voltaremos um dia, para refazer os museus e vaguear de bicicleta junto aos canais. Quando o rebento for maior. A três é  que é  bom!


segunda-feira, 27 de abril de 2015

Mises à jour

Dado o lapso de tempo entre a última entrada e o dia de hoje, achei por bem fazer-vos um apanhado dos acontecimentos mais relevantes dos últimos 15 dias.

Começo por vos contar que na semana que se seguiu à "perseguição" ao Coca, o meu pequeno príncipe ficou doente. Nada de extraordinário - apenas uma constipação - mas como teve febre, não pôde ir à creche. A solução de emergência foi ficar em casa do avô.
É um regalo para os dois! O neto faz tudo o que quer - seja comer pintarolas, ovinhos de chocolate, pintar as paredes, brincar com o telemóvel, ver televisão.... - e o avô desfruta de tempo com o piolho.
Claro que eu muito agradeço esta disponibilidade do meu pai, e se não achasse que ficam bem os dois, ficava eu em casa para cuidar do filho que, afinal de contas, é da minha responsabilidade.

Com o avô, o pequenito fez não apenas tudo o que já brevemente citei acima, como viu as máquinas a trabalhar (uma das suas recentes paixões) e iam juntos dar couves às galinhas. Os cócós do avô já não o assustam.

No sábado que se seguiu a essa semana de convalescença, o avô e o padrinho vieram a nossa casa para instalar os candeeiros e trouxeram a priminha para brincarem juntos. Divertiram-se muito com o comboio, as bolas e os popós. Claro que no grande popó a prima não teve muita oportunidade de andar porque o meu filho quase não larga o carro e, mal a viu chegar, correu para o Porsche, não fosse a prima apoderar-se dele...

Bem tento incutir-lhe o sentido da partilha, mas vejo que ele é bastante possessivo em relação aos seus brinquedos. Muitas vezes, agarra tudo o que pode nos braços e foge para um canto, para brincar só ele.

Este último sábado tivemos a visita de um casal - pais da namoradinha do meu menino (brincadeira nossa, de mães, que andávamos grávidas ao mesmo tempo) - e bem observei o desespero do meu filho, quando a menina se colocou em cima do carrito. Estava ansioso que ela saísse, só não a arrancando de lá porque lhe disse que não havia razão para não emprestar o seu popó e que deveria esperar que a amiguinha o abandonasse, para ele pode andar. Assim que a miúda saiu do carro, correu em largada para o recuperar e assapar a toda a velocidade.
Acho que há aqui uma certa vaidade do fedelho. Na forma como anda e domina o veículo, quando comparado com os amiguinhos, dá-lhes um festival! Muita prática :)

Outra novidade destes dias aconteceu na hora do pequeno almoço. Em casa, ao fim de semana, costumámos comer torradas com café com leite. O meu filho tem por hábito comer apenas o miolo do pão, fazendo grandes buracos no meio das fatias. No fim de semana passado, e seguindo o meu exemplo, quis molhar o pão dentro do leite, o que só faz sentido se molhar a parte da côdea (o miolo desfaz-se todo).
Mais do que aprovar o facto de não desperdiçar comida, achei muito engraçado o seu jeitinho a molhar o pão para, ato contínuo, se queixar que está com os dedos molhados. "Molhalho", diz ele. 

Para colmatar, ontem foi a festinha dos 3 anos da minha afilhadinha (e dos 33 do meu irmão)! Prova inequívoca de como o tempo passa a voar. Calma tempo! Vamos com calma! Eu quero viver muito ainda. Quero aproveitar esta nova vida que começou quando decidimos ter um filho. É que: a três é que é bom! 


terça-feira, 14 de abril de 2015

Gatooooooooooooooo

A grande maioria dos miúdos gosta muito de animais. O meu pequeno príncipe não foge à regra.

Na segunda-feira de Páscoa fomos a um parquezito, perto de casa, onde, para além de um escorrega, tem alguns animais domésticos: ovelhas, um porco, patos, coelhos, galinhas, gansos, veados, pombos e acho que mais nada. De todos os bichinhos, o que mais lhe despertou a atenção foi um gato - da vizinhança - que nos acompanhou na visita. Gatoooooooooo, gatoooooooooo. Lá ia ele a correr atrás do malandreco do felino, que também parecia estar a gostar da brincadeira, pois não arredou pé.

Neste domingo foi a vez do gato da vizinha dos avós. O meu piolho já o conhece e até o chama, alto e bom som, pelo nome: Cocaaaaaaaaaaaaaaa! Cocaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
O bicho não está habituado a crianças e por isso não se deixa chegar muito perto, tendo batido em retirada, antes que fosse tarde demais e acabasse esmagado entre dois braços pequeninos e fofos :)

Nós, que estávamos a pensar arranjar um cão - ainda sem data definida, dado a sobrecarga de trabalhos que vai acarretar - ficamos na dúvida se não seria mais do agrado do filhote ter um gato... Hum... Penso que não. Os cães são mais fiáveis.


E entre dúvidas de qual o animal a adotar, deixo-vos a certeza de que: 
A 3 é que é bom!


domingo, 5 de abril de 2015

Caça aos ovos da Páscoa

Não sendo uma tradição da minha terra, nem tão pouco algo que recorde da minha infância, descobri, já em idade "avançada", que pela Páscoa é comum em muitos lugares/países organizar a caça aos ovos.

Esta foi a segunda quaresma do meu pequeno príncipe. No ano passado ainda não andava para poder apanhar os ovos - e gatinhar ao frio e no molhado não se me afigurou como um bom plano. Mas este ano já estava previsto - na minha cabeça - que teria direito a uma espetacular caçada no jardim da vizinha da avó :)

A preparação para o grande dia começou com algumas semanas de antecedência. 
Tendo descoberto, no meio da literatura infantil lá de casa, o livro do T'choupi que vai apanhar ovos de Páscoa, coloquei-o ao alcance do pequenote, para lhe despertar o interesse, e, juntos, vimos e lemos por várias vezes as aventuras do T'choupi.

Assim, hoje quando disse ao meu piolhito que iamos apanhar ovos de chocolate e coelhinhos no jardim, tal como o T'choupi, ele ficou todo entusiasmado e agarrou logo no cestinho, colaborante. 

O único momento de resistência foi face à relva, um pouquinho crescida e desnivelada. Ainda hesitou, meio desconfiado da firmeza debaixo dos pés. Mas tendo avistado um coelho de chocolate lá ao fundo, decidiu arriscar e deu o primeiro de muito passos :)

Foi com um enternecimento desmesurado que acompanhei a primeira caça aos ovos de Páscoa do meu rebentinho. Encontrou-os todinhos, tendo-os colocado, um a um, dentro do cestinho que a mamã lhe deu para o efeito. Volta e meia soltava um T'choupi, lembrando que já vira o bonequito a fazer aquilo, e que por isso sabia bem como proceder. Tão lindo!

O dia de Páscoa nunca me despertou especial interesse, mas quando associado a momentos destes, torna-se memorável e inesquecível. 
A três é que é bom!






segunda-feira, 30 de março de 2015

Fun fun fun

Quando a primavera não é sinónimo de sol, e o fim de semana se apresenta de chuva e muito vento, é preciso encontrar alternativas às saídas ao parque para distrair os pequenotes.

A ideia não foi minha, mas caiu que nem ginjas. Passo a contar:

Durante a semana passada a minha afilhada foi, com os meninos da creche, a um complexo de diversão e voltou para casa extasiada e ansiosa por voltar.
Ontem, quando passamos lá por casa para entregar o ramo à madrinha - não vá o pequerrucho não ter direito ao folar ahahah - soubemos do programa para a tarde de domingo e fomos convidados a juntarmo-nos ao bando, uma vez que o amiguinho de ambos também viria. Claro que aceitamos.

Vai daí, depois da sesta, lá nos encontramos todos para proporcionar aos piolhos uns momentos de lazer e de descarga de energia (às vezes parecem movidos a energias renováveis com o simples respirar).

O meu pequeno príncipe, a minha afilhada e o amiguinho partiram, cada um na sua direção, em busca do que mais lhes agradava. 
Claro que o meu filho se agarrou aos popós - como se não tivesse iguais em casa - e só a custo conseguimos que brincasse nos tanques de bolas e nos escorregas. Já na reta final encontrou uma mota e então foi a loucura total. Foi com baba e ranho que conseguimos arrancá-lo de lá - já com as luzes semi-apagadas. 
A princesa, maiorzinha, adora os escorregas e as estruturas para subir. Foi um encanto vê-la atarefada, a correr de um lado para o outro, ansiosa por mais e mais diversão. 
Dos três,o amiguinho foi o mais recatado. A falta de sesta fez-se sentir. Ainda assim acho que se divertiu muito e é, sem dúvida alguma, uma experiência a repetir.
Gostaram os miúdos e os graúdos. Que o diga o meu marido que, com a desculpa de acompanhar o filho, se fartou de brincar :)

A velha máxima continua de atualidade: A três é que é bom!




quinta-feira, 26 de março de 2015

Brinquedos novos

O meu rebento continua a adorar carros - pouco importa os tamanhos e as funcionalidades - mas achei por bem proporcionar-lhe a oportunidade de variar as brincadeiras.
Puzzles, livros, bolas, pistas, cubos... fazem parte da panóplia de bugigangas que há lá por casa.
Para fazer companhia ao pequeno tambor comprado nas férias na Madeira, faltavam outros instrumentos musicais.
Vai daí encomendei um bombo e um xilofone. O bombo chegou primeiro (e acabou sendo prenda de uma querida amiga e colega). E mal chegou, logo se foi! 
O entusiasmo foi enorme. As pancadas meio descoordenadas. Mas o resultado final não era previsível num tão curto espaço de tempo. Não compreendo como é que um brinquedo concebido para crianças a partir dos dois anos se fina em menos de 5 minutos.
Com uma tristeza enorme estampada nos olhos, vejo o meu pequeno príncipe a olhar, ora para mim, ora para o bombo, com cara de: "o que é que aconteceu?". Um buraco enorme no bombo e o sabor amargo da festa que acabou mesmo antes de ter começado.
Lá saíu com o papá para comprar outro bombo, de preferência um pouquinho mais resistente, enquanto a mamã magicava a devolução do estragado - que, só por defeito, se poderia ter estragado com tamanha facilidade. 
Voltaram ambos mais felizes e com uma vontade louca de "bombar". 

No dia seguinte chegou o xilofone. Em madeira e ferro, pelo que presumi que duraria mais tempo do que o bombo. 
Faz um som engraçado, que ainda não se tornou desconfortável porque o meu piolho não lhe dá muito uso. Bate com os pauzinhos (não sei como é que aquilo se chama) com toda a força. Às vezes acerta nas mãos. Outras vezes atira tudo pelos ares. Lá vai experimentando. Gostou. Mas os carros continuam a levar a melhor.

Para completar a coleção de instrumentos musicais o pequenote foi presenteado com uma bela guitarra, prenda de uns queridos amigos. 
Ao fim de alguns minutos as cordas estavam fora do sítio. Mas pouco importa. Faz parte do aprendizado. 

De toda a maneira, o que me interessava era proporcionar-lhe outras experiências e colocar ao seu dispor outros instrumentos que não guizos e teclados que emitem som de animais e partituras completas de música infantil.

Se vier a gostar de música, ótimo. Se não for o caso, ótimo na mesma. Só quero que seja feliz :)
(Eu queria tanto ter aprendido a tocar piano...)

Já podemos pegar cada um no seu instrumento e dar um concerto de gargalhadas e boa disposição. A três é que é bom!



quinta-feira, 19 de março de 2015

Reflexões

Faz hoje um ano que terminou a minha licença de maternidade ("congé parental"). Não voltei logo ao trabalho, porque tinha as férias de 2013 para gozar, mas não tarda muito e festejo o primeiro ano do meu filhote na creche.
Na altura estava muito apreensiva com a antevisão do futuro: deixar o meu menino entregue a desconhecidos, num lugar tão novo para mim como para ele, com regras e horários, com outros miúdos - nem sempre amiguinhos e prontos a transmitir vírus e viroses...
Custou-me muito.
Mas hoje, fazendo um balanço destes 11 meses em comunidade, não posso tirar outra conclusão que não seja: fez-lhe tão bem!
Os vírus e viroses tornaram-no mais forte e resistente. Teve de ficar alguns dias em casa. Tivemos noites mal dormidas. Passamos momentos pouco agradáveis. Certo. Mas não apanhou nada que não seja o normal nestas idades e com isso o seu organismo adquiriu imunidades.

Com os outros miúdos aprendeu a ter de partilhar. Às vezes lutar pelo que quer - chegando a casa arranhado e mordido. Aprendeu a esperar pela sua vez. Aprendeu que não é o único à face da terra e que, tal como ele, os outros meninos também acham que são a "prioridade". Partilham frustrações e descontentamentos, tão importantes para o crescimento quanto o afeto e o carinho.

As educadoras, com quem muito converso, não apenas para saber como se porta o pequeno príncipe, mas também para trocar experiências e pontos de vista, são simpáticas e profissionais. Tenho mais afinidade com as do grupo dos grandes (onde está o piolhinho desde janeiro) e desde que mudou de grupo que se nota que está mais ativo e desperto. 
Por exemplo, hoje, enquanto o amamentava, lembrou-se de colocar os peluches como plateia e começou a cantarolar uma musica, acompanhada de um esbracejar meio descoordenado, que, imagino, seja a coreografia que aprendeu na creche. Estava o rebento no papel de educador, de frente para os Tigres e os Mickeys, que desempenhavam, estes, o papel que lhe cabe a ele e aos outros meninos, sentados e alinhados. Muito engraçado.

Falando em Mickey, este que inicialmente era chamado de Mani, passou a Micki, para agora ser apelidado de Mika Maussss - tão fofo! Só ouvido :)

Resta dizer que os valores e princípios que pratica na creche são diariamente transmitidos e reforçados em casa. Porque a educação é em casa que começa. É aos pais que cabe o papel de educar. Educar com Amor! (ainda não acabei de ler o livro do Pediatra Mário Cordeiro, com este título).

A três é que é bom!