sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Fada das chupetas

Se me perguntassem, antes de ser mãe, o que é que eu achava das chupetas, eu diria "a evitar". Depois do meu pequeno príncipe nascer, e de me pôr o peito em sangue tal era a vontade de sucção, decidimos que se calhar a chupeta poderia ser uma aliada. E foi. Na hora de dormir e naqueles momentos em que parecia que nada resultava para o acalmar, a chupeta acabou por se revelar de uma eficácia surpreendente.

Contudo, e como é de conhecimento comum, o uso prolongado da chupeta acaba por deformar os dentes, o céu da boca e prejudicar a fala. Vai daí, e para preparar o piolho para o "desmame", havíamos combinado que as deixaria junto à árvore de Natal, para o Pai Natal as  levar para os bebés que não têm e deixar em troca umas prendinhas.
Este era o plano.

Acontece que o meu pequenito começou a pedir a chupeta sem ser na hora de dormir. Cerrada nos dentes, não havia modo de lha tirar sem provocar um enorme berreiro. Então, para o incitar a entregar-me a chupeta a bem, expliquei-lhe que a Fada das Chupetas vem buscar todas as chupetas dos meninos que as usam sem ser para dormir. Ameacei uma, duas, três vezes.
No dia em que me fez a viagem toda para a creche de chucha na boca, a Fada das Chupetas veio buscá-las todas. Foi há mais de 15 dias. Dia de S. Martinho. Nesse dia, quando o fui buscar à creche, expliquei-lhe que, por ter usado a chupeta sem ser para dormir, que a Fada as tinha vindo buscar. Desde então não voltou a ter chupeta.

Nos primeiros dias pedia a chucha, na hora de dormir, mas explicamos-lhe que era irreversível. Além de que o tínhamos avisado que isso acabaria por acontecer. Nunca chorou a implorar pela chupeta e acabou por esquecer. Foi bastante simples, no final de contas :)

A três é que é bom!

                                                    A decorar a árvore de Natal em casa dos avós

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Jardim zoológico

Começo por vos dizer que não gosto de jardins zoológicos. É desolador ver os felinos - os meus animais favoritos - dopados e encarquilhados, confinados a meia dúzia de metros quadrados. São bicharocos que em estado selvagem são maravilhosos. Mas quando em zoo têm sempre aquele ar infeliz e apático, de quem não vive e apenas existe.

Mas pronto. A verdade é que, não fossem os zoos, muitas espécies de animais já teriam desaparecido. E quantos de nós teriam a oportunidade de ver o rei leão ao vivo e a cores?

Assim sendo, no passado sábado - e porque o tempo estava a contento - decidimos visitar um dos zoos das proximidades, reputado pelo enorme número de animais que alberga e cuja atração atual é um espetáculo com os tigres.

Na receção compramos pipocas que podíamos dar a alguns animais - na sua maioria, animais domésticos, com exceção do urso, que as apanhava em pleno voo. 

Não vou citar todos os animais que vimos - até porque não me lembraria de todos - mas apenas os que mais marcaram o piolhinho: os tigres (de bengala e siberianos), os leões (castanhos e brancos), o puma (cujo rosnar se fazia ouvir por todo o parque), os lobos brancos (que tanto fizeram a mamã chorar da outra vez que visitou o zoo) o urso castanho (o polar estava doente), os rinocerontes (o bebé estava a mamar na mamã), as girafas, os elefantes, os pinguins, o espetáculo dos leões marinhos, os gorilas, o pónei (a quem tentou dar pipocas, mas a medo), as cabras (essas sim, fartaram-se de comer milho) e o espetáculo dos tigres.

Em relação ao espetáculo dos tigres... é deprimente! 8 tigres - lindos! - corridos à chibatada por um idiota que se diz domador, é um triste cenário.
Os tigres estão dopados e, ainda assim, não obedecem ao fulano. Fazem um pouquinho o que lhes dá na real gana, a arrastarem-se de um lado para o outro numa arena minúscula. Não gostei. Nada!
O momento alto do espetáculo foi quando um dos tigres rosnou ao pateta que o tentava manipular e eu desejei que lhe mandasse uma patada - sem aleijar, vá... mas suficientemente forte para por um termo naquela atração ridícula. Feito à semelhança do circo, é inapropriado e cruel. 

Com os prós e os contras, não posso deixar de concluir que foi um bom dia, até porque o pequeno príncipe adorou. Só adormeceu já no regresso a casa, exausto e feliz e com muitas histórias para contar.

A três é que é bom!


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Domingo de Outono

"No Outono as folhas ficam amarelas e caem. As árvores ficam nuas." O pequeno príncipe não se cansa de me repetir este resumo simples do que é o Outono -  e eu não me canso de o ouvir.

A mamã já lhe tinha prometido que um dia destes íamos apanhar as folhas no parque e ver, com os nossos próprios olhos, a magia das folhas a cair e a desnudar as árvores.

Como ontem estava um belo dia de sol - ainda que fresquinho - aproveitámos para sair da toca e desfrutar dos raios. 

Tendo proposto ao rebento irmos apanhar folhas, disse-me que não, que queria andar de bicicleta. Ok. Seja feita a sua vontade. :)
Acompanhados pelo avô, fomos ao parque da escolinha perto da casa deste. Deu umas voltinhas rápidas e sem muito entusiasmo. Ainda não consegue dar a volta completa aos pedais, mas às meias pedaladas lá vai indo... 

Saciada a vontade de pedalar, fomos ao parque não muito longe dali. Ficamos encantados com uma perseguição entre dois esquilos, num pinheiro altíssimo, e sem entender se aquilo era uma luta ou um acasalamento. O certo é que acabámos por seguir viagem, e os dois bicharocos lá continuavam a correr um atrás do outro.

No parque infantil o meu piolho subiu no cavalo, andou no escorrega, passou o passadiço agarradinho ao papa, andou no baloiço e correu relva fora, à procura das folhas grandes caídas pelo chão.
No meio das folhas encontrou castanhas, propositadamente largadas para os animais. E é claro que a tentação de as apanhar foi imediata. Depois de encher as mãos da mamã de castanhas, decidimos deixá-las juntinho ao pinheiro onde tínhamos visto os esquilos, para estes comerem no inverno - quando a neve chegar e a comida escassear. 

E entretanto era hora de regressar, com duas folhas do outono na mão para dar a avó que ficou com o Benny e o coração cheio de felicidade.

A três é que é bom!


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Dia do Pai

Contrariamente a muitas outras festividades, o Dia do Pai não se festeja no mesmo dia em todo o mundo. E aqui, no Grão-ducado, celebra-se no primeiro domingo de outubro.

Portanto, enquanto que muitos dos meus familiares, amigos e conhecidos estavam preocupados em não ir votar (o meu voto, por correspondência, não contou para aquela estúpida taxa de abstenção!), nós estávamos empenhados em celebrar o Pappendag.

A prendinha da creche estava bem escondida em casa, tendo conseguido que o pequeno príncipe se esquecesse dela, evitando uma entrega antecipada. 
Durante a semana tínhamos combinado que faríamos um bolo de chocolate especial "fête des pères". Assim, no domingo de manhã, quando o pequenito abriu a pestana às 6h30 da manhã, descemos para cumprir a nossa missão.
Ainda antes de metermos mão à obra, o pai recebeu a prendinha que as educadoras ajudaram o filhote a preparar. Uma sequência de 4 fotos do rebento, em cada uma segurando uma letra P A P A. Tão lindo. Confesso que fiquei com uma ponta de ciúme, ao ver aquele sorriso largado do meu tesouro, todo ele para o pai :)

O bolo, feito com todo o carinho e com a ajuda efetiva do piolho, só poderia ficar bom. É a receita mágica, que toda a gente aprecia :) Levámo-lo para casa dos avós, porque o avô também é o pai da mamã... E não só partilhamos o bolo como nos deliciamos com o prazer do meu mais que tudo a saboreá-lo! Nham nham.

E porque era um dia mesmo especial, tínhamos que ter um programa diferente.

Desde as férias que o filhote pedia para irmos à piscina. No entanto, por razões várias, ainda não tínhamos conseguido arranjar tempo para o levar. No domingo foi o dia. A infraestrutura, além das piscinas para os pequenitos, tem toboggans e uma piscina de ondas! "É o mar", dizia ele. Ele gostou e eu amei. Nada nos enche mais o peito do que a felicidade estampada na cara dos nossos filhos, né?

A três é que é bom!


sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Benny

A nossa família está a crescer!

A pedido do pequeno príncipe - com o apoio incondicional do papa e algumas reservas da mamã - adotámos um gatinho!

A nossa ideia de pais era de adotar um cão. Porque são mais previsíveis e mais amigos do dono. Os gatos - felinos! - são muito independentes e de comportamentos repentinos, o que nem sempre se conjuga com as brincadeiras próprias dos pequenos terríveis.

No entanto, e feita a devida ponderação dos prós e contras, concordámos que um gato seria mais facilmente encaixável no nosso dia a dia e no nosso modesto lar.

A ideia tornou-se objetivo ainda antes das férias. 

Ainda em agosto fomos ao asilo com a intenção de adotar um gato pardo que nos tinha fascinado aquando da primeira visita. Mas não o trouxemos. O meu rebentinho fixou-se no gatinho pequenino, que estava na caixa ao lado, todo simpático e bem disposto - mas que ainda não estava para adoção, porque não tinha ido ao veterinário e era muito novinho.
"Mas - disse-nos a senhora - fiquem atentos ao site que brevemente estará disponível."
Ontem foi o dia!
Ainda não eram 13h00 e o asilo publicou novos gatos para adoção. Às 17h00 o Benny já era nosso :)

O meu filho está feliz da vida com o gatinho lá por casa. E o bichinho, super meiguinho, só lhe falta ladrar para ser um cão. Segue-nos por todo o lado, brinca, salta, rebola... E faz as necessidades na areia, para felicidade da mamã. 
Vamos ver em que estado encontro a casa mais logo :)

Tenho a certeza que este "plus" só veio trazer mais alegria a uma família feliz. A três é que é bom!


terça-feira, 15 de setembro de 2015

Cócó no pote

Já há várias semanas que uma das histórias antes de dormir era "T'choupi vai ao pote" - sendo certo que o pequeno príncipe absorve cada palavrinha dos livros que lhe lemos ou que ele folheia sozinho, da frente para trás, de trás para a frente, compenetrado e curioso.

Contudo, e apesar do estímulo exterior, a cada tentativa de o pôr no pote ou na sanita a resposta era inequívoca: "Não quero!".
Ok... Aguardemos. O momento certo há-de chegar.

No sábado passado, estávamos os dois em casa, e por duas vezes me disse: "mamã, quero ir ao pote". Apesar de ter sido mais rápida do que a minha própria sombra, quando cheguei com o pote já o presente estava na fralda, em ambos os momentos... Mas pareceu-me um bom começo. Expliquei-lhe que teria que me dar mais tempo para a próxima vez.

Ontem, já aconchegadinho na cama para dormir, disse-me que tinha cócó. Lá o levantei, tirei o pijama, abri o body, desfraldei... e não havia lá nada! Mais uma oportunidade para mim - mãe chatinha e persistente - de perguntar se queria ir ao pote. Respondeu que sim.
Sentei-o, fez uma careta de quem está a puxar, e pensei para mim: "és um fiteiro!". Mas depois do teatro veio aquela cara de quem está realmente num momento de libertação e hop... lá estava ele... o primeiro cócó no pote do meu menino lindo!

Nunca pensei que ver um cagalhoto no fundo dum penico me deixasse tão feliz :) :)

A três é que é bom! 

PS: Não vos vou "presentear" com a foto que fizemos :)


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Amamentação

Ainda grávida, mais do que a hora H, temia a iniciação à amamentação. 
Dona de peitos sensíveis, sem formação de bico, e filha de mãe com experiência negativa no que toca o aleitamento materno, o cenário desenhava-se difícil. 

E foi.

Ao segundo/terceiro dia depois do nascimento do pequeno príncipe, tinha os peitos em ferida. As dores eram imensas. O ato de amamentar uma tortura. Recomendaram-me o uso de bico em silicone. Ajudou. Mas ainda assim, e até sarar as gretas, cada mamada era acompanhada de lágrimas a escorrer pela cara abaixo. Nem consentia que me falassem, concentrada naquele momento, a tentar esquecer a dor e a vontade de desistir.
Mas dizia a mim mesma que tinha de "me fazer de forte" porque nada há de melhor para um bebé do que o leitinho da mamã (sem esquecer a praticabilidade e a economia). E que, depois daquele ponto de sofrimento, a coisa só podia melhorar... 
Além disso, eu precisava que ele mamasse, para me aliviar do imenso desconforto do peito cheio de leite...

Nessa convicção e persistência, ao fim de uns dias (ainda que longos e dolorosos) amamentar passou a ser um ato natural e reconfortante. Sem qualquer dor ou desconforto. 

Amamentei em exclusivo até aos 5 meses do meu filho, altura em que iniciamos a introdução dos legumes. 

Quando voltei ao trabalho, depois da gravidez, (já ele tinha 10 meses) , consegui manter a amamentação porque já só mamava de manhã e à noite (às vezes à tarde, quando regressávamos a casa).

Entretanto, desde janeiro último, passou a mamar apenas do peito direito, dizendo que o outro estava seco. Na verdade sempre teve leite, mas, não sei porquê, o pequenito deixou de pegar no peito esquerdo.

Muitos me perguntavam (incluindo o meu médico de família e a pediatra) até quando pretendia amamentar... 
Inicialmente tinha estabelecido que amamentaria até aos 2 anos de idade do meu filho - se ele assim quisesse e até porque a OMS recomenda a amamentação até essa idade. 
Contudo, chegados a junho passado, e tendo lido sobre o desmame, concluí que seria o pequeno príncipe a decidir quando deveria deixar a mama. Não lhe quis impor a rutura, sendo certo que a mim não me fazia qualquer repugna ou desarranjo amamentar. Os dias difíceis da iniciação ficaram bem lá atrás. 

Por conseguinte, e consequência do desinteresse manifestado durante as férias em Palma de Maiorca, foi assim que na sexta-feira passada amamentei pela última vez, quando o meu rebentinho, já com 2 anos e quase 2 meses de idade decidiu largar o peito e encerrar este capítulo.

Sinto-me orgulhosa por ter conseguido resistir à imensa tentação de desistir. Teria sido o caminho mais fácil, na altura. Escolhi o mais difícil. 
E valeu a pena. Cada lágrima derramada ficou largamente compensada pela simplicidade/facilidade/comodidade que se tornou amamentar.

Ao meu marido fica o agradecimento pelas tentativas de me dar coragem naqueles primeiros dias. Sei que teria trocado de lugar comigo, se pudesse. 

A três é que é bom!