quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Da partilha

Desde que tenho memória, sempre adorei o Natal.

E não, não é por causa dos presentes! Aliás, tenho ideia que em criança houve Natais que não recebi nada. Recordo-me de ter um Pai Natal de chocolate (daqueles que sabiam a sabonete) na bota, uma tangerina e camisolas de malha que a minha mãe tricotava… Mas brinquedos só me lembro a partir do momento em que o Luxemburgo passou a fazer parte do meu mapa. A minha última boneca recebi aos 12 anos e fui com os meus pais comprá-la. Um modelo último grito, que falava e andava. Acho que ainda a tenho no meu quarto na casa parental.

Mas como dizia: não são as prendas que me cativam nesta quadra. Nadinha. A ponto de após o nascimento do meu filho, ter sugerido (e convencido) mudássemos as regras das festividades e só os pequenitos é que passaram a receber prendas no Natal.

Após uns primeiros anos de exagero completo com as crianças, voltamos a ajustar os nossos ímpetos consumistas e, além de identificar quem oferece as prendas (não são todas do Pai Natal – este só traz uma, se a criatura merecer…), estabelecemos que só há presentes da família no 24 de dezembro. Deixamos de oferecer por ocasião do Saint Nicolas.

E isto tudo porquê? Porque o Natal não pode ser sinónimo de resmas de presentes!

O Natal é Família, Amor, Amizade, Fraternidade, Solidariedade, Partilha!

Deveria ser assim o ano inteiro. Estamos de acordo.

Mas o certo é que a vida atarefada e atrapalhada muitas vezes não nos dá tréguas e vai-nos impulsionando para a frente, empurrados pela corrente, sem refletirmos no nosso caminho.

Mas em dezembro chega sempre o Natal.
E nesta altura damos por nós a reviver os últimos meses de correrias e a prometermo-nos que para o ano vai ser diferente. Damos por nós a querer parar e aproveitar o agora, com aqueles que amamos.

O Natal tem este poder: o poder de nos lembrar do que realmente importa. A Família. O Amor. A Amizade. A Fraternidade. A Solidariedade. A Partilha.

Para inculcar bem lá no fundo do coração do meu pequeno príncipe o verdadeiro sentido do Natal, há vários anos que replicamos uma iniciativa, que já se tornou uma tradição nossa: fazer bolachas natalinas para oferecer.

Não há nada mais precioso que possamos presentear aos outros que o nosso tempo. Por isso, para aqueles que nos são queridos, nós fazemos com todo o carinho estas bolachinhas, que além de kilos de manteiga e açúcar, levam o nosso ingrediente secreto: o Amor.

O nosso prazer em oferecer redobra pela satisfação que vemos em quem as recebe. São pedaços de afecto comestíveis.

Em abono da verdade, devo esclarecer que o meu pequenote tem uma motivação extra para tamanho empreendimento. É que as iguarias não são todas para oferecer. Além daquelas que ingere mal estão a sair do forno, guardamos sempre umas quantas numa latinha, para nos confortar os dias frios. Nhammm! Tão boas.

Isto sim, é Natal.

A três é que é bom!



Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.