sexta-feira, 5 de julho de 2019

E vão 6!

Parece que foi ontem. Com uma barriga e um coração a transbordar, dirigi-me para a maternidade para que me provocassem o parto daquele que, desde o primeiro segundo em que soube que vivia em mim, se tornou o grande amor da minha vida.

Mas não foi ontem... já fez na semana passada 6 anos! Seis!

Dou comigo, volta e meia, a namorar fotografias de quando o meu príncipe era bebé e a sentir umas saudades tremendas daquele bebezinho fofinho.
 
Não que não seja um rapazinho adorável - que é! É um miúdo pleno de vida, com um coração grande, sempre disponível, amigo!  

A minha melancolia deve-se a reflexões mais pesarosas... sinto saudades do passado mas também do presente, ao pensar no futuro e nesse mundo que o vai levar para longe de mim... 

I will always love you! ❤️

A três é que é bom!


sexta-feira, 10 de maio de 2019

Da vulnerabilidade

No dia a dia uso muito provérbios e lengalengas, lugares comuns e frases ditas. Uma delas é: ninguém diga que está bem... E é bem verdade.

No dia 14 de abril, estava o meu rebento sentadinho a ver os desenhos animados com o papá, quando este me chamou para ir rápido ver o que era aquilo. No meio do cabelo do pequenote, quase no centro da cabeça, estava uma coisa redonda, com uma coloração preta. Sem pensar, agarrei aquilo e fiquei a olhar para a mão. Fui analisar à luz, deixei cair, não se mexeu, peguei novamente na mão e fiz explodir aquele saco cheio de sangue da cabeça do meu príncipe. Sim, era uma carraça! Só podia ser uma carraça. Sem a cor esverdeada das ervilhas - de que tenho memória de ver nas orelhas dos cães - mas nenhum outro bicho suga sangue daquela forma. 

A seguir veio o pânico das terríveis consequências duma picada de carraça e as interrogações de onde é que ele apanhou aquilo e há quanto tempo estava aquela besta agarrada à sua cabeça (perguntas que ficaram, obviamente, sem resposta...).

Ao invés de correr para as urgências (num domingo) com o menino sem qualquer sintoma além da picada, procuramos saber o que fazer nestes casos. O ministério da saúde local publicou um cartaz informativo e fácil foi concluir que, no imediato, nada havia a fazer a não ser desinfetar a picada e ficar alerta a possíveis sinais de febre ou manchas na pele (na ferida ou noutro local do corpo). As complicações possíveis: doença de Lyme e febre da carraça. 

Claro que liguei à pediatra (disponível só no dia seguinte) para saber o que fazer mas os conselhos foram os mesmos. Desinfetar e observar.

Passado quase um mês sobre o sucedido, a febre da carraça aparecer é altamente improvável. Quanto à doença de Lyme, uns dizem que surge em 48h mas de acordo com alguns sites há a possibilidade de se manifestar até 3 meses - infelizmente na internet encontra-se de tudo... para o bem e para o mal.

É inacreditável como de um momento para o outro o nosso mundo pode desabar! Felizmente, neste caso, (e quero muito acreditar nisso!) apenas nos ameaçou de derrocada.

À terrível vulnerabilidade do ser humano no geral, acresce, numa mãe, a inultrapassável fraqueza de não poder trocar de lugar com o filho, sempre que este está em perigo. 

Amo-te meu amor.

A três é que é bom!


segunda-feira, 11 de março de 2019

Do 8 ao 80

A vida é cheia de cor. Está longe de ser a preto e branco - e ainda bem - e mesmo naquelas coisinhas que deveriam ser ou pretas ou brancas, está fragmentada em espaços cinzentos, de todas as tonalidades.

Onde é que eu quero chegar com isto? 
Ao ponto em que se passa de bestial a besta num picar de olhos. 

Na semana passada o pequeno príncipe soube mostrar o quanto é francamente inteligente ao criar, de raiz e sem qualquer inspiração que não fossem as imagens gravadas na sua cabecinha, um pirata de missangas ("hama perles"). 
Rico em pormenores e cor, surpreendeu-nos com o resultado final - um pirata, com perna de pau, uma mão de gancho, pistola na outra, papagaio no ombro e chapéu com caveira. Disse que não colocou a pala nos olhos porque teria que lhe alongar a cabeça e não ficava bem. 
Foi sobejamente elogiado, por pais inchados de orgulho.

Alguns dias depois, e porque preferiu a companhia de terceiros à dos pais, foi criticado e marginalizado, com palavras duras e, a meu ver, impronunciáveis.

Há coisas que não se dizem. 
E não precisarei de transcrever aqui o que foi dito, para que seja recordado para sempre. Espero que apenas por quem as disse e não por quem as ouviu.

Uma criança de 5 anos tem "o direito"  de chamar a mãe de méchante sorcière quando esta o contraria. Mas um pai não pode deixar que a frustração lhe mine a razão e deixar-se dizer barbaridades e, teimosamente, manter-se numa posição defensiva e agressiva para com o filho que lhe feriu os sentimentos.

Fica o registo. 
Porque este blog não é feito de coisas bonitas, mas de momentos que marcam. 




terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Do Amor e da Saudade

Longe de mim querer dizer que nos anos anteriores faltou, mas o último Natal foi repleto de Amor e harmonia, em família - como todos os Natais deveriam ser. Não me recordo de outras quadras natalinas tão serenas e tão genuinamente felizes.

Os avós estiveram cá durante 10 dias, e foram 10 dias em nossa casa - 24h/24h.

O pequeno príncipe aproveitou cada minuto, acordando de madrugada - grande parte das vezes no meio deles - e esticando o serão até ao máximo. Não os largou de um segundo, exigindo toda a atenção e sugando todo o carinho que não tinha desde setembro. 

No dia em que se foram embora, estava já deitado para dormir quando largou num pranto inconsolável. Acorremos, preocupados, a saber o que tinha. A resposta foi inesperada: tinha saudades dos avós. 
Foi a primeira (e, para já, única) vez que o vi chorar de saudade. Ohhhhhh. Tem tanto de doloroso como de adorável. A manifestação palpável e inegável do seu enorme Amor pelos avós. 

Fazem-lhe muita falta.E a mim também. 

Em família é que é bom!


terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Bolachinhas natalinas

Já é uma tradição de nossa casa fazer bolachas de Natal, não apenas para regalo nosso mas também para partilhar com aqueles que nos são queridos. 

Domingo passado revelou-se o dia ideal: os flocos de neve que caíram durante a noite, espalhando um leve manto branco, apelavam a iniciativas natalinas :)
Como a árvore já estava mais que feita, os postais prontos para seguir, só faltavam as bolachas.

Enquanto o pequeno príncipe foi lá para fora fazer um boneco de neve com o pai, a mamã lançou-se nos preparativos dos biscoitos.

Comecei pela massa das bolachas de gengibre que tem de repousar no frio e avancei para as de leite condensado. Entretanto, e já com o pequenote de regresso, esticamos e cortamos a massa em moldes ora grandes ora pequenos, dando para 6 tabuleiros de lindas bolachinhas.

Já depois de almoço, e tendo a visita ao Marché de Nöel sido reportada, decidimos fazer bolachas de manteiga. Para tal empreendimento contamos com a colaboração da nossa princesa, que quis vir para casa da madrinha para ajudar.

Foram umas boas 3 horas de trabalho :)

Começamos por: estica massa, corta massa, amassa novamente, volta a esticar, volta a cortar. Depois das bolachas de manteiga enfornadas, viramos-nos para a decoração das de gengibre. 
Ficaram encantadoras! 
Foram feitas com tanto carinho que quem as receber só poderá deliciar-se com aquele sabor inigualável das coisas feitas com amor.

A três é que é bom ;)



segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Piolhos

Isso mesmo! Piolhos.
Sim, eu sei que ainda existem. Sei que não são sinónimo de falta de higiene. E que se espalham pelas cabecinhas à velocidade da luz. Mas ainda não me tinha visto a mãos com tal praga. 

Então foi assim:
Na quarta-feira passada o meu pequeno príncipe começou a coçar a cabeça antes de ir para a escola e a dizer que tinha piolhos. 
Já não é a primeira vez que diz que tem piolhos - sempre que tem comichão por alguma razão, e como sabe que os piolhos têm esse efeito (porque quando veio com avisos da creche e da escola a dizer que haviam cabecinhas com habitantes eu lhe expliquei), atribui a culpa aos bicharocos - e, portanto, não liguei. Até porque não tinha havido nenhum aviso nos últimos tempos.

Quando o fui buscar à Maison Relais, uma das educadoras veio dizer-me que ele se tinha estado a coçar, mas que lhe disse que eu já lhe tinha lavado a cabeça e que já sabia que ele tinha habitantes indesejados. Expliquei-lhe a conversa da manhã e prometi averiguar.

Chegados a casa, fui espreitar naquele tufo de cabelos finos e densos. Não me pareceu. Ainda assim, enviei o pai à farmácia buscar o substituto do meu conhecido quitoso. Apliquei, deixei atuar e qual não foi o meu espanto, ao lavar a cabeça, de os ver na tona da água. Ohhhhhhhhh não! Socorro! Não é que tinha piolhos!?
Foi mudar camas, toalhas, casacos, cachecóis, gorros, desinfectar sofá, carro, cadeira no carro, colocar peluches de quarentena... E pai e mãe a lavar a cabecinha com o champô também!
Que agitação para um final de dia.

E na manhã seguinte, a inspecção de cabeça revelou as lêndeas agarradas àqueles cabelinhos fininhos mas que não acabam. Logo defini a solução: vamos cortar o cabelo. 
Na farmácia o pai descobriu outro champô com um daqueles pentes metálicos que se revelou muito eficaz, no cabelo já cortado. 
Ao terceiro dia tínhamos a praga exterminada. Mas a que custo. Uma coisa tão pequena pôs uma casa toda em alvoroço.

Agradecimentos às amigas que, para prevenir, me cataram - sim, que isto só de falar nos piolhos dá-me uma coceira que não aguento :) 

                                                     Foto de ontem de manhã, com cheiro a Natal :)


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Good job ;)

Todos sabemos que os bebés não nascem com manual de instruções, para grande desespero de nós pais, principalmente os de primeira viagem.

Procuramos, sempre na melhor das intenções, incutir às nossas pequenas criaturas os valores e princípios, que, somos em crer, melhor os prepararão para o mundo "lá fora". 

Quantas vezes ( e ainda bem!) não nos tornamos nós próprios melhores pessoas só para sermos um bom exemplo a seguir: mais humanos, mais educados, mais simpáticos, menos críticos, menos irresponsáveis, menos idiotas, vá.

Mas, e apesar dos esforços, sempre temos dúvidas se os nossos pequenotes estão realmente a absorver os ensinamentos que procuramos transmitir e a construir-se como seres humanos empáticos, solidários, responsáveis, amigos, confiáveis... Como pessoas de valor.

Quando a professora do meu pequeno príncipe (que é a mesma do ano passado e, portanto, o conhece bem) me disse que queria dar-me uma palavrinha, quando o fui buscar no final da escola, passaram-me vários cenários pela cabeça. Será que se anda a portar mal nas aulas? Com os colegas? Será que está a embirrar com a língua? Será que está com dificuldades de aprendizagem? Em nenhum momento assumi que a professora quereria, "apenas", elogiar o meu rebento. Mas foi precisamente o que aconteceu. Fez questão de me dizer que está muito contente com ele, que está super motivado e sempre a querer fazer/aprender mais e mais e concluiu com estas palavras: "você tem um filho espetacular. Parabéns!" 

De certa forma é lamentável que precisemos do reconhecimento alheio para validar o nosso "trabalho"- bastar-me-ia observar o seu comportamento, ouvir as suas conversas, seguir os seus raciocínios para perceber que "está tudo lá". É, realmente, um miúdo fantástico. E parte disso é culpa minha. Que bom! 

Bem sei que este é um caminho para toda a vida e que o mais difícil ainda está por vir. Mas, e nisto temos de acreditar, quando os alicerces estão bem feitos, pode vir uma enorme tempestade que a casa não cai.

A três é que é bom!