terça-feira, 2 de maio de 2017

Outros mundos

O conceito de "tempo em família" pode ser muito variável. Para muitos bastará estarem juntos num mesmo espaço físico. Para outros poderá implicar longas tardes à volta duma mesma mesa. 

Para mim tem de ser mais do que isso.

Ficar em casa, a cozinhar, passar a ferro e aspirar as migalhas que sempre encontro no chão - enquanto o meu pequeno príncipe brinca a um canto ou me chateia que quer ver televisão - não são momentos felizes. São rotinas, quase insuportáveis.

Vai daí, sempre que consigo, arranjo reais programas em família. Daqueles que nos ficam na memória.

E foi assim que no passado sábado acabamos a explorar o "Domaine des Grottes de Han". 

A visita começou nas grutas. Com aproximadamente 2 km e mais de 500 degraus, demoram quase 2h00 a ser exploradas. 
As formações calcárias no seu interior são impressionantes, bem como as salas gigantescas  formadas entre as rochas. 
Certo que o meu pequenote não compreende o real alcance daquelas perfurações de milhões de anos, mas não invalida que tenha experienciado uma realidade completamente nova e ficado, obviamente, mais enriquecido. 

Já no período da tarde fizemos o nosso primeiro Safari. Sim, um Safari. Mas desenganem-se aqueles que estão a sonhar com leões, elefantes, girafas e outros animais selvagens da savana africana. Tivemos, sim, direito a vistas deslumbrantes da zona circundante do Lesse - verdejante a perder de vista - e de animais quase domésticos: cabras, veados, búfalos, cavalos, burros, touros, cegonhas, mochos, corujas... Os "best of" do parque são dois ursos castanhos e os lobos (os castanhos e os brancos). Todos os animais estão impecavelmente tratados!

A visita do "Domaine" incluía, ainda, uma visita ao "Préhistohan" que não visitamos. Mas não deixamos de mergulhar no passado visitando o Museu Han 1900 - um universo de pequenas relíquias de outros tempos, que o papa e eu ainda conseguimos reconhecer mas que as gerações presentes e futuras dificilmente compreenderão. 

Regressamos a casa a relembrar o quanto as grutas são fantásticas e o quanto nos divertimos no nosso primeiro Safari.

E porque o fim de semana foi grande, a segunda-feira ainda deu para satisfazer uma vontade recente do príncipe: visitar um castelo.

A escolha recaiu no castelo de Vianden. Em ótimo estado de conservação, tem salas deslumbrantes, algumas delas devidamente ornamentadas como "antigamente". 
O filhote não prestou grande atenção aos detalhes nem se mostrou especialmente impressionado. 
Acho que a falta de "chevaliers" o desiludiu :)
Talvez, na cabecinha dele, imaginasse um castelo armado até aos dentes, com cavaleiros montados nos seus cavalos, prontos a defender o território e o Rei :)

Estes sim, são programinhas que aprecio.

A três é que é bom!



segunda-feira, 10 de abril de 2017

Este miúdo é fantástico!

O meu pequeno príncipe é cheio de carácter. 
Teimoso como uma mula.
Quer sempre ficar "por cima", mesmo quando apanha palmadas no rabo por ser obstinado. Não dá o braço a torcer, mesmo quando fica de castigo por não respeitar as regras impostas.

E devo dizer que estou longe de ser severa com ele. Apenas há regras que não podem ser quebradas. Mas a criatura é provocadora e desafiadora, sempre disposta a testar limites.

Mas essa perseverança e esse gosto pelo desafio não lhe trazem apenas dissabores. Por ser destemido e aventureiro, não tem medo de experimentar coisas novas, correndo riscos (nunca calculados!) e pondo-se à prova. Por alguma razão as pernocas e joelhos parecem as gravuras do Vale do Côa, todos arranhados. Além das nódoas, ora negras ora azuladas, consoante a antiguidade.

Mas voltando às conquistas: ontem, no parque, um amiguinho da prima andava na bicicleta já sem rodinhas. O miúdo faz 5 anos este mês e começou, no sábado, a andar sem os apetrechos.
Quem é que também quis experimentar andar só em duas rodas? Pois claro: o senhor "faço tudo como os grandes".

Fica, em vídeo, o resultado. 

É ou não é fantástico? Claro que é. Mas é meu! :)

A três é que é bom!









terça-feira, 21 de março de 2017

B&B+O&B

Vamos começar este post por esclarecer o seu título: Blankenberge, Bruges, Ostende e Bruxelas. 
Sim, isso mesmo. Foi um fim de semana em cheio.

O ponto de partida foi o convite que o pequeno príncipe recebeu para o aniversário da filha de uma grande amiga da mamã, que vive na Bélgica. 

Para celebrar o 10º aniversário da princesa, os pais escolheram uma visita ao Sea Life de Blankenberge - bem lá na costa belga. Isso pareceu-nos fantástico. Não apenas a visita aos peixinhos mas a proximidade do mar e a possibilidade de passear junto à praia e respirar aquele ar com cheiro a maresia. 

Contudo, as previsões do estado do tempo não eram as melhores -  e, como sempre acontece quando são de chuva, concretizaram-se - por isso sabíamos de antemão que laurear junto ao mar seria coisa rápida. 

Depois da visita ao Sea Life (que é mais pequeno e menos atrativo do que o esperado - mas que, durante a representação das focas, conseguiu sensibilizar o meu pequeno para a importância de manter os oceanos limpos), fomos almoçar a ver o mar. Àquele que é o "calçadão" de Blankenberge faltavam todos os atrativos que o sol proporciona a zonas costeiras: pessoas, atividades e lojas abertas. Assim, depois do repasto, e já só os três, abalamos para a cidade a que chamam a Veneza do Norte: Bruges. 

Se com chuva miudinha (e às vezes copiosa) a cidade é maravilhosa, imagino como será em dias soalheiros. Fizemos o tradicional passeio de barco, deambulando pelos canais que nos levam a cantos e recantos cheios de história. Lá no alto as inúmeras torres de igrejas, cá em baixo as pontes que ligam uma cidade recortada. Percorremos ruas e ruelas, numa ansia de descoberta. 
Já no quarto de hotel o telemóvel indicava um total de 8,2km a pé, para o dia de sábado. O filhote fê-los todos! 

Para domingo tínhamos previsto continuar por Bruges. Mas visto termos conseguido aproveitar muito no dia anterior, e já que o sol teimava em não surgir, decidimos aproveitar o dia para dar um pulo até Ostende. Fica mesmo ali pertinho e já nos tinham falado maravilhas de lá... 

Foi uma visita relâmpago. Estacionamos junto à praia, bem perto da marina e do molhe. Os cabelos ao vento dos transeuntes advertiram-nos que o tempo não estava para mimos. Mas fizemo-nos de fortes e avançamos para a praia.
Nunca levei com tanta chapada de areia na cara em toda a minha vida :P 
Ainda assim, valeu bem a pena para voltar a ver o mar e a sua grandiosidade. Mas não para ficar por ali o resto do dia.

No caminho de regresso a casa passaríamos necessariamente por Bruxelas. E porque não almoçar por lá?
Assim foi. Estacionamos bem lá no centro, e, em menos de 3 m, estávamos na Grand Place. Foto shooting do pequeno príncipe :) Seguiu-se a não menos tradicional passagem pela estátua de Everard t'Serclaes (para dar sorte) e o Manneken Pis (vestido para festejar a Saint Patrick). Almoçamos o quê? Moules com batata frita, pois claro! Ainda tivemos tempo para uma espreitadela às galerias Saint-Hubert. E regressamos a casa.

A três é que é bom!





quinta-feira, 16 de março de 2017

Purim - Carnaval

Quando se vive fora de Portugal, a possibilidade de contacto com outras culturas/religiões é, naturalmente, maior. Mas quando esse país de acolhimento é o Luxemburgo, essa probabilidade aumenta exponencialmente.

Acontece que o meu pequeno príncipe frequenta ,desde os 10 meses de idade, uma creche que pertence a uma Associação Judia. Escolhi esta creche pela proximidade do meu trabalho e por boas referências de uma amiga e uma educadora. E, apesar de aberta a todas as crianças, os miúdos são maioritariamente judeus e as celebrações anuais também são judias.

Ontem foi o dia em que celebraram a Purim - a wikipedia explica a origem e tradição - que, para o meu pequenote significou: dia de se mascarar!

E o disfarce para a "festa de carnaval" da creche estava escolhido há muito tempo: Spiderman!

Quanto entusiasmo. 
A correr de um lado para o outro, a lançar teias e a trepar aos muros. A jogar às apanhadas ou a fazer fila indiana no escorrega. A jogar à bola ou simplesmente a rirem todos juntos como tolinhos, foi um final de tarde animado.
O meu filhote só sossegou quando viu chegar comida. Alapou-se logo numa mesa do jardim a enfardar bolinhos e bolachas. Para comer, aposta pai :) 

Numa altura em que anda um tantinho implicante e rabugento, foi bom vê-lo divertido e a aproveitar o lado bom da vida. 

As suas gargalhadas são música para os meus ouvidos. E nada me enche tanto o coração como a sua felicidade. 

A três é que é bom!



quinta-feira, 9 de março de 2017

O Primeiro

O peixe morre pela boca.
E,  não raras vezes, já me vi censurar a mim própria por pensamentos e palavras que outrora tive face a comportamentos de criaturas que julguei inadmissíveis e que - pasmem-se - agora me acontecem a mim.

Uma dessas cenas terríveis que os miúdos (todos!) fazem é: eu sou o primeiro! 

O que eu já me chateei com isto. Mas que raio de mania. E como contrariar? Pois... não sei. E nem mesmo o Dr. Mário Cordeiro - na rúbrica da Rádico Comercial "Mas tem mesmo de ser assim?" - me conseguiu elucidar.
Claro que devemos explicar que só é o primeiro aquele que se esforça muito e que trabalha para isso, que na vida nem todos vencem e que, desde que tenhamos dado o nosso melhor, não temos de ficar tristes por isso... bla bla bla (não escrevo isto num sentido crítico mas de plena concordância). 
Não obstante, fica por esclarecer como é que moldamos/atenuamos essa ânsia de ganhar todas as vezes, com direito a grande beicinho em caso de desfeita (sim, às vezes não ganha - para se habituar à frustração de perder...). 

Provavelmente o tempo ajudará. Inevitavelmente.

Devo confessar, contudo, que esse espírito competitivo do meu rebento me tem "dado jeito" em momentos críticos como seja a hora de ir para o banho. Nada mais eficaz do que: "vamos ver quem tira a roupa primeiro?". Em três tempos temos príncipe descascado a correr pela casa, orgulhoso por ter sido o primeiro e por me ter ganho outra vez...
É caso para dizer: se não os podes vencer, junta-te a eles :)

A três é que é bom!




quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O meu Valentim

Ontem foi o dia de S. Valentim. 
É uma data que pouco ou nada me diz(ia) e que não tenho hábito de celebrar. Não por uma descrença no Amor. Apenas porque o Amor deve ser celebrado todos os dias e não apenas a 14 de fevereiro. 

No entanto, e até porque por todo o lado se viam alusões à data - o que não passa despercebido aos olhinhos curiosos do meu piolho - decidi explicar-lhe (ontem) que era dia de festejar o amor e que ELE é o meu GRANDE AMOR. Dei-lhe montes de beijinhos e xis apertados, disse-lhe que o amava mais que tudo e que seria para todo o sempre o meu Valentim.

Ficou todo derretido - como se não soubesse já que é a "pessoinha" mais linda e maravilhosa da minha vida! :)

Ao final de tarde, quando o pai chegou a casa com o "tradicional" ramo de flores (quando combinamos há décadas que não celebramos tal dia...), quase lho arrancou da mão e, com um enorme sorriso, disse-me que eram dele para mim e que eu sou o seu Amor. Haverá coisa mais linda? :)

Assim aconteceu que pela primeira vez na minha vida o dia dos Amores (como o meu príncipe lhe chamou) teve todo o sentido do mundo. 

AMO-TE FILHO.

(Papa, estás a seguir.. às vezes ahahaha).

A três é que é bom! 



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Boneco de Neve

Os primeiros dias de 2017, já com a mamã a trabalhar e em casa com o papa, foram passados entre a piscina e os passeios pedestres da nossa cidade.

O rebento adora chapinhar na água. E após ter convencido o pai a comprar-lhe uns óculos, fartou-se, ao que me confidenciaram, de mergulhar, bracejar, espernear e engolir água. Ainda não sabe nadar, mas é destemido e aventureiro. Divertiu-se como um louco e passou bons momentos com o papa. Fico muito contente por isso.

Na quinta-feira passada foi dia de ambos regressarem aos seus trabalhos. O pequeno príncipe já tinha saudades da educadora favorita. Mas só dela, diz ele. O pai, ainda que sem saudades nenhumas, também teve de dar o corpo ao manifesto.

E passadas as festas e as férias, a única coisa que poderia alegrar um fim de semana marcado por noticias tristes, só mesmo a chegada da neve. 

Foi assim que no domingo de manhã, e após um pequeno almoço reforçado (panquecas! nham, nham), fomos para a rua fazer anjos e apreciar a neve que, de tão fofa, nem bolas permitia que se fizessem.

No fim de almoço, e já com a prima e padrinhos, voltamos a sair com o objetivo de fazer um super boneco de neve. 

Missão cumprida. 
Embora tivéssemos de arrecadar toda a neve das redondezas, conseguimos fazer um belo Olaf (nome que o filhote e eu decidimos atribuir ao boneco de neve, num rasgo de suma originalidade quando, já a relembrar o dia antes de dormir, nos demos conta que nos tínhamos esquecido de lhe dar um nome).
 
A três é que é bom.